Nos últimos tempos tenho lido muita informação na web sobre viajar com cachorros. Li sobre os documentos necessários, tamanho e peso do cão. Tudo em geral. Não foi fácil reunir todas as informações mas vou tentar resumir um pouco de tudo aqui e contar minha experiência.
Em primeiro lugar sempre é bom estar muito bem informado sobre os documentos, exigências, caixinha e chegar no aeroporto no minimo 2 horas antes do seu voo.
Bom, eu já viajei com cachorro duas vezes, das duas foi de Cuba para o Brasil, voando por Copa Airlines. Já despachei (comigo viajando no mesmo voo), levei na cabine e despachei como carga (quando você não vai no mesmo voo).
Viajando com cães no compartimento de carga: Minha primeira viagem foi com uma cocker pequena, mas muito louca. Tive que despachá-la, não foi difícil, os documentos para viajar com cães para o Brasil não são caros, nem são difíceis de conseguir. Eu tinha que tirar um certificado de saúde do cão na semana da viagem e ter as vacinas em dia, raiva e quíntupla. O documento custou 10 cuc (dólares cubanos), e pronto. Consegui uma caixinha emprestada e ai fomos pro aeroporto.
Todo mundo fala para não dar remédio pro cachorro em viagem, no caso dela eu dei um calmante porque ela era muito agitada. Não adiantou nada. Chegamos no aeroporto e ela fazia um escândalo enorme. Fiz meu check in, despachei ela. Tive conexão no Panamá e você não pode ver o seu cachorro nem nada. Quando cheguei em São Paulo, louca para fazer xixi, escuto meu chamado, era a Duda latindo descontroladamente, passando na esteira junto com as bagagens. Resgatei ela e quando vi ela tinha feito xixi na caixinha, estava toda suja, não dava para tirar ela nem nada. Dei água, comida e despachei de novo para ir para Belo Horizonte.
Ela chegou bem, veio um responsável da companhia aéreas, (não lembro se foi TAM mas acho que sim) e entregou ela. Ela estava bem estressada e agitada. Morri de dó. Depois ela ficou bem, se adaptou bem no Brasil mas nunca mais quis entrar numa casa ou caixinha de novo, ela ficou traumatizada.
Despachando o cão em avião de carga: Antes da minha segunda viagem tive de ajudar uma amiga que foi para a Costa Rica, de Cuba e não pode levar sua labrador com ela, ela pediu todas as informações com antecedência mas na hora do embarque tinha algum problema que não deixaram a Connie viajar com ela. Então fomos, eu e meu marido, com o namorado dela ao aeroporto de cargas de Cuba, onde estava a terminal da companhia que ela queria e despachamos a Connie por carga. Esse processo é muitooooo caro, acho que só da "passagem" foram 300 ou 400 dólares, eles calculam pelo peso. Você tem que levar o mesmos documentos exigidos para viajar só que na hora de despachar vai enfrentar uma burocracia enorme, é muitoooo demorado e muito complicado. Ficamos lá umas 4 horas para conseguir despachar a Connie, mas no final ela chegou bem, eram 4 horas de voo direto, e minha amiga conseguiu pega-la no mesmo dia.
Viajando com o cão na cabine: A minha segunda viagem foi com a Fofa, ela é a cachorrinha mais educada que já tive (devo tudo ao meu marido, porque eu odeio ficar dizendo que não pro bicho, trabalho o dia todo e quando chego quero só dar amor), viajamos também por Copa de Cuba para o Brasil, mas agora tínhamos uma conexão no Panamá e viajávamos direto para Belo Horizonte. Antes da viagem procurei saber no Consulado do Brasil em Havana quais eram os documentos necessários. E eram os mesmos da primeira viagem, só tinha que legalizar no Consulado. Ela foi na cabine comigo, o dia da viagem foi muito corrido, afinal eu estava me mudando permanentemente pro Brasil com meu marido. Tivemos ajuda para conseguir fazer o check in, era taaanta coisa, excesso de bagagem, colocar plastico nas malas, pagar imposto de aeroporto, pagar a viagem da Fofa, e por ai vai. Embarcamos com ela numa bolsa própria para transporte de cães na cabine eu tava morrendo de medo porque a unica que eu achei era pequena para ela e eu não tinha a menor ideia das exigências do tamanho da bolsa. Mas ninguém implicou nem ficou medindo a bolsa, pesaram e pronto. Veio a veterinária, olhou tudo, colocou uma etiqueta, dessas de mala, dizendo que ela podia viajar.Embarcamos.
Ela foi super tranquila, eu tirei ela umas duas vezes da bolsa, dei agua e tal. A aeromoça viu da segunda vez e pediu para colocar ela de volta. Ela chorou um pouco na decolagem e aterrissagem do avião mas as pessoas que viajaram do nosso lado quando me viram desembarcando com ela comentaram que nem perceberam que eu viajava com um cachorro. No Brasil foi super tranquilo, tivemos que esperar na fila e apresentar os documentos e pronto.
A Fofa se adaptou no Brasil super bem, nos primeiros dias estava meio triste, depois foi melhorando.
Quando vi que íamos nos mudar para Hungria meu coração apertou, já que, por motivos que explicarei melhor em outro post, eu não ia poder traze-la comigo. Agora que já estamos aqui há 7 meses, estou me preparando para traze-la. Agora sim estou muito mais cuidadosa, as companhias tem limite de peso que varia de 6 a 10 kg. A única que aceita 10 kg é a Tam, a Lufthansa e Tap Portugal aceitam 8 kg. As dimensões da bolsa são bem limitadas, de altura são em media 23 a 25 centímetros! E o processo é bem mais complicado. Vai custar 200 euros a passagem da Fofa pela Cabine, mais a documentação e a bolsa de viagem.
Resumindo os documentos para viajar de um terceiro país a Europa são:
-a) certificado veterinário uniforme da UE; emitido por médico veterinário credenciado, acompanhado de documentos comprobatórios, tais como carteira de vacinação. (Verificar com o Ministério da Agricultura, nos aeroportos internacionais geralmente tem um posto do Ministério); Este documento deve ser feito bem próximo da viagem porque vale por 8 dias.
b) O animal precisa estar identificado por um microchip (identificação eletrônica individual), inserido subcutaneamente, em conformidade com a norma ISO 11784 e com o anexo A da norma ISO 11785 (obrigatório a partir de 03/07/2012); Deve-se colocar o microship antes do exame de raiva.
c) Animais importados do Brasil devem ser submetidos a uma Detecção de Anticorpos Neutralizantes contra o vírus da raiva, pelo menos 30 dias depois da vacinação anti-rábica e três meses antes da viagem. O exame não precisa ser repetido se a proteção for mantida nos prazos previstos. Um médico veterinário precisa colher o sangue e enviá-lo para exame em um laboratório autorizado. Se você não mora em SP pode mandar a amostra de sangue por Sedex, acho melhor procurar um veterinário que saiba esse processo porque tem que mandar em caixa de isopor, com gelo, tem um monte de explicação para conservar a amostra. Você pode achar tudo nesse site: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/vigilancia_em_saude/controle_de_zoonoses/lab_zoonoses/index.php?p=5784No Brasil os laboratorios autorizados são o Pasteur e no Centro de Zoonoses de São Paulo. Custa R$ 150,00, pagamento por boleto e demora 15 dias para sair o resultado. O comprovante da análise sorológica precisa acompanhar a documentação;
d) Podem ser importados no máximo 5 animais; caso contrário deverão ser aplicadas as normas para importação com caráter comercial.
Depois de realizado o exame o cachorro deve permanecer no Brasil por mais 3 meses. Ai sim você leva no veterinário, que atesta que o cachorro esta saudável, e você já pode ir ao Ministério da Agricultura, ler tópico A.
Como eu não estou no Brasil e meus pais não tem tempo de ver tudo isso contratei uma empresa para fazer tudo e nos ajudar com a vinda da Fofa, depois vou contar como foi e o que achei da empresa. Custa uns 1.000 reais e eles fazem TUDO, colhem sangue, colocam o microship, fazem os documentos, ajudam na escolha da bolsa, etc. Eles têm representantes no Brasil todo e fazem o processo na sua cidade. Na verdade estou bem satisfeita com a empresa, até agora, porque diminui o medo e a ansiedade da viagem.
Bom gente é isso, eu vou ao Brasil em julho buscar minha Fofinha e quando voltar conto como foi.
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